Desde 1941, repete-se como um mantra mofado a frase: “O Brasil é o país do futuro”. Futuro. Sempre o futuro. Enquanto isso, o mundo andou.
O Japão saiu completamente destruído da Segunda Guerra Mundial, com duas bombas atômicas no currículo, e virou uma potência tecnológica global.
A Alemanha, dividida, arrasada e moralmente devastada, reconstruiu-se e tornou-se o motor econômico da Europa.
A Coreia do Sul, que nos anos 1960 era mais pobre que muitos países africanos, transformou-se em referência mundial em tecnologia e educação.
Singapura, um pântano sem recursos naturais nos anos 1960, virou um dos países mais ricos e organizados do planeta.
A China, mergulhada na miséria extrema até os anos 1970, tornou-se a segunda maior economia do mundo.
E nós? Continuamos repetindo a mesma frase, como se esperança fosse plano de governo.
A verdade é que este país parece ter desistido de ser nação para se acomodar como uma grande fazenda moderna: poucos senhores privilegiados e milhões sustentando a estrutura com impostos sufocantes. Nós, os pagadores de impostos, somos espremidos até a última gota. Eu gosto do Brasil — do povo trabalhador, da cultura, da energia — mas odeio profundamente a forma como tudo aqui é conduzido. Do cidadão que acha esperteza furar fila ou levar vantagem ao sistema inteiro que institucionalizou a ineficiência.
Com o chamado “caso Master”, o que antes ainda deixava espaço para dúvida sobre a seriedade das instituições, agora escancara um problema estrutural. A Justiça, já conhecida por sua morosidade e distância da realidade do cidadão comum, passa a imagem de um sistema que protege os seus e pune os de sempre. A sensação é de que as regras não são iguais — e isso corrói qualquer noção de República.
O Brasil virou um país que provoca revolta. Uma população exausta, dividida, anestesiada por promessas e paliativos, enquanto quem produz e paga a conta trabalha no limite. Há um cansaço coletivo no ar. Um barril de pólvora? Talvez. Ou talvez apenas um povo cansado demais para reagir.
Fala-se em mudança, mas o debate político parece um eterno retorno ao mesmo duelo pobre de ideias e rico em acusações. De um lado e de outro, lideranças que parecem mais interessadas em vencer do que em construir. E o país, sempre refém da polarização rasa.
O problema não é falta de potencial. Nunca foi. O problema é a cultura política da impunidade, do privilégio e da mediocridade institucionalizada. É o Estado inchado que exige cada vez mais e entrega cada vez menos. É a máquina que suga até a última fibra produtiva e ainda pede aplausos.
O Brasil não é o país do futuro. É o país da CORRUPÇÃO.
Se não houver ruptura com a cultura da corrupção, da complacência e do privilégio, o futuro continuará sendo apenas isso: uma palavra bonita usada para adiar responsabilidades
Excelente texto. Resumiu bem a situação. Não resta nem esperança nesse país.
ResponderExcluirEu me sinto um estrangeiro em meu próprio país. Fico espantado em como essas coisas que você descreveu parecem não atingir o "brasileiro médio", que parece só se importar (desde há muito tempo) com carnaval, futebol e cerveja.
ResponderExcluirÉ pq o brasileiro, no geral, não tem ideia da quantidade de impostos que ele paga. Acho que isso é um dos pontos. Se ele souber que de 1000 reais que ele tem, 490 reais vai para imposto, talvez ele ficaria puto.
ExcluirBoa, maluco!
ResponderExcluirTexto muito bom, mas eu adicionaria que o sistema político de concentração absurda de poder/dinheiro nas mãos de governantes submete os brasileiros a essa corrupção absurda. Acho que a troca do presidencialismo para parlamentarismo com o fim da reeleição no legislativo - acho quase impossível ocorrer - seria o início da mudança, do jeito que está, mudam-se as pessoas, as narrativas rasas porém não se altera o resultado final.
Abraços!
Texto forte.
ResponderExcluirTalvez o Brasil não seja o “país do futuro” nem o “país da corrupção”. Talvez seja, simplesmente, um país que nunca rompeu consigo mesmo.
Japão, Alemanha, Coreia do Sul, Singapura e China passaram por choques existenciais profundos. O Brasil sempre preferiu a continuidade, mesmo quando ela é medíocre.
Talvez nosso traço mais marcante não seja a corrupção em si, mas a tolerância a ela. Não a indignação, mas a adaptação. Abs!
Boa man.. bons pontos levantados. O que nos leva a um ponto fundamental... "nossa cultura". Talvez a tolerância seja nossa cultura. O engraçado que, no futebol, isso não acontece. Se o time perde, os caras ficam loucos. Meio burros a forma de brigar, pq o problema profundo do clube nem é nos jogadores geralmente.. mas na organização... enfim.. só uma comparação meio rasa.
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