E aí, nobres senhores. Chegamos a mais um fechamento anual, aquele evento místico que só acontece a cada 12 meses e me obriga a comparar a minha performance na corrida rumo à aposentadoria.
Enquanto o mundo ainda não implode, seguimos juntando dinheiro para a velhice. Afinal, se tudo for para os ares, sem grandes problemas. No fim das contas, a terra nos come do mesmo jeito.
No ano passado eu estava razoavelmente preocupado com o início na nova empresa. Já neste fim de ano posso dizer, sem medo de errar, que estou consolidado e muito bem posicionado por lá. A preocupação agora é outra, algo que simplesmente não existia no radar anteriormente. O crescimento da IA.
Curiosamente, no fechamento passado eu nem citei inteligência artificial. Hoje ela faz boa parte do meu trabalho. O futuro chegou, sentou na minha cadeira e ainda pediu café. A minha esperança é que, quando eu finalmente for substituído por um algoritmo educado e que não reclama, eu já tenha pelo menos 2 milhões em dinheiros. Por enquanto, não tenho nem 1 milhão, o que transforma essa esperança em uma preocupação bastante concreta.
Mas chega de filosofia e ansiedade financeira. Vamos aos números de 2025.
O rendimento foi de 12,52 por cento. Abaixo do CDI e abaixo da taxa Selic. Ou seja, perdi para o básico, para o simples e para o botão automático do banco.
Esse resultado se deve basicamente ao meu trabalho na gringa. Aqui no Brasil a coisa não anda muito amigável para desenvolvedores. Encontrar um trabalho que pague 12 mil reais virou quase uma lenda urbana, algo que todo mundo conhece alguém que conseguiu, mas ninguém nunca viu de perto.
Dito isso, não tenho absoluta certeza de como anda o mercado interno. Estou fora dele há três anos, tempo suficiente para perder completamente a noção da realidade local e passar a achar normal receber em moeda forte enquanto o caos reina ao redor.
Hoje estou recebendo um pouco mais de um salário mínimo por mês em dividendos. A média gira em torno de R$ 1.920,00, o que me deixa genuinamente feliz. É um dinheiro que cai sem eu precisar pedir bom dia para ninguém, nem abrir reunião no Teams.
O lado amargo é que isso já supera o que muitos aposentados recebem. Fico feliz pelo resultado pessoal, mas triste pela constatação. Vivemos em um país miserável, onde descansar depois de uma vida inteira de trabalho virou privilégio, não direito.
Sobre o colchão de segurança, não fiz nenhum aporte ao longo do ano. Hoje o valor está em R$ 43.413,00. No ano passado estava em R$ 37.977,00. Ou seja, foi apenas o juros fazendo o seu trabalho silencioso, discreto e muito mais eficiente do que muita gente.
Bom, então é isso, senhores. Relendo o fechamento de 2025, percebo que não deixei nenhuma meta definida. O mesmo vale para agora. Talvez maturidade, talvez cansaço, talvez só falta de paciência para prometer coisas que a vida vai tentar sabotar.
Espero que em 2026 eu consiga superar 2025, embora não saiba se isso será possível. Preciso urgentemente fazer reformas na casa, aquelas reformas nada glamourosas, só manutenção mesmo. Pintura toda desgastada, algumas rachaduras meio suspeitas. Preciso resolver isso o quanto antes, antes que a casa decida se reformar sozinha.
O lado positivo é que existem algumas caixinhas que não entram nessa contabilidade. Dinheiro separado para fins específicos que acabaram não acontecendo ou sobrou. Um pequeno alívio psicológico para quando a realidade resolve cobrar juros emocionais.
Será que este ano eu chego ao Milhão? Estou bem próximo e absurdamente ansioso por isso. Tenho alguns gatilhos bem estranhos envolvendo esse número, assunto que fica para um momento futuro, quando eu estiver com menos preguiça e talvez um pouco mais introspectivo.
É isso, senhores.
Até breve.
Vou deixar uma música que retrata 2025 e o futuro de 2026.
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